quarta-feira, 22 de junho de 2011

Datas importantes - por Ir. Michael, obl. OSB

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Revma. Me. Abadessa,
Estimadas diretoras dos oblatos do Mosteiro de São João,
Caríssimos irmãos oblatos (as), noviços, postulantes e candidatos à Oblação Monástica:
Tomo a liberdade de escrever-lhes estas breves linhas para recordar 3 datas importantes, duas das quais particularmente para nossa Abadia de São João Batista de Campos do Jordão e que pela brevidade de nosso encontro do último domingo podem ter passado desapercebidas por nós.
DIA 24 DE JUNHO: Festa de São João Batista, Patrono Principal de nossa Abadia:

Sempre que me coloco pensando na figura de São João como padroeiro de nosso mosteiro fico imaginando o que devo levar dele para o mundo onde estou; sim, pois o padroeiro do mosteiro também reflete um pouco de sua vocação. E qual seria ela... "preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas veredas" ou ainda: "convertei-vos pois o Reino de Deus está entre vós!".
Deter-me-ei rapidamente nessas duas linhas de pensamento para nós oblatos. Preparar os caminhos do Senhor para nós oblatos e oblatas de São Bento no mundo seria levar o ideal de Cristo e a força que Ele concede a cada um de nós onde quer que estejamos: em casa, em nossa família, em nosso trabalho, em nossas ações na sociedade, com nossos amigos. Devemos simplesmente sermos nós mesmos e através disto levar às pessoas a figura do Cristo com o qual tivemos nosso "encontro pessoal" e que através dos ensinamentos de São Bento buscamos a plenitude em nossas vidas.
"Convertei-vos pois o Reino de Deus está entre vós!". São João Batista apontava para o Cristo: "Eis o Cordeiro de Deus..." assim, também nós, apontamos para Cristo e mostramos que apesar de nossas misérias e fragilidades humanas ele caminha conosco. Em vista disto cremos também que precisamos nos "converter" a cada dia, em cada gesto, em cada nova ação.
Sei que cada um e cada uma pode tirar outras conclusões e reflexões a respeito da figura de São João Batista, porém deixo aqui minha humilde reflexão para partilha com todos vocês.
DIA 1º DE JULHO: Aniversário da Bênção Abacial de Me. Myriam de Castro, OSB


No próximo dia 1º de Julho de 2011, nossa Reverenda Madre Abadessa Myriam de Castro, OSB comemora o 10º aniversário de sua Bênção Abacial quando foi oficialmente empossada como nossa abadessa. Devemos nesta ocasião render graças a Deus pela vida de tão grande pessoa que colocou-se nas mãos de Deus e que mesmo sabendo da sua pequenez e das dificuldades que certamente enfrentaria deu o seu sim generoso para servir e amar, para conduzir tantos outros e outras pelos caminhos de Cristo segundo as trilhas de São Bento e levar adiante o sonho iniciado por Me. Margarida Hertel, OSB e por Me. Dolores Souto Maior, OSB a tantos anos bem antes de sua decisão de entrar para o mosteiro e para a vida religiosa.
São 10 anos como abadessa do Mosteiro de São João onde nossa madre incansavelmente se desdobra para ver espalhar o suave odor do Cristo através de sua doação pela comunidade do mosteiro de São João e também por cada um de nós oblatos e oblatas que também temos nela uma presença de mãe e amiga de todos.

DIA 11 DE JULHO: Solenidade de NP São Bento


Dispensados maiores comentários, nesta data em que pelo calendário litúrgico da Santa Igreja comemoramos a Solenidade de Nosso Pai fundador, coloquemo-nos em união junto a tão grande intercessor e patrono que temos no Céu junto de Deus e peçamos a força dele para podermos continuar nossa caminhada e incessantemente como ele, até mesmo na hora da morte, termos os braços erguidos a Deus em fervorosas súplicas, clamando pela misericórdia e pelo perdão de Deus que é derramado sobre nós a cada dia para que tenhamos força de remarmos "contra a maré" e levarmos adiante a vocação de sermos presença de São Bento no século e na condição de vida que Nosso Senhor propiciou a cada um de nós.
Sei que muitas das vezes é difícil para nós oblatos, oblatas, noviços, postulantes e candidatos à oblação beneditina, em razão de nossos compromissos e responsabilidades pessoais e de trabalho, estarmos no mosteiro e com nossa comunidade monástica nestas datas, mas podemos e devemos um cada uma delas, elevarmos nossos pensamentos a Deus e colocarmo-nos em união de oração e de coração com todas nossas queridas co-irmãs do Mosteiro de São João e agradecermos a Deus por fazermos parte de tão especial e grande família espiritual da qual colhemos todos os dias inúmeras graças que nos são concedidas por Deus pela intercessão desta mesma família que ora por nós, seus oblatos, incansavelmente durante todas as vezes que se colocam no coro para a recitação do Santo Ofício e em especial quando estão reunidas em torno do Altar da Santa Missa.

Sempre unidos no Altar do Senhor,

Ir. Michael, obl. OSB

terça-feira, 14 de junho de 2011

Menção Monástica

No mesmo dia 13 de Junho comemora-se o 4º aniversário da elevação do Mosteiro de São Bento de Pouso Alegre - MG ao grau de Priorado Conventual, por sua Santidade o Papa Bento XVI. Alegria na casa de nossos irmãos monges e oblatos de Pouso Alegre, assim como de toda a Congregação Beneditina do Brasil que os acompanha em suas orações.






Memória Litúrgica de Santo Antônio

SANTO ANTONIO

"Doutor da Igreja", "Martelo dos Hereges", "Doutor Evangélico", "Arca do Testamento" é como os Papas o chamaram. Para o povo fiel, ele protege os pobres, auxilia na busca de coisas e pessoas perdidas, orienta os sentimentos e inspira a vida de oração; afugenta os demônios e a peste; cura os enfermos. Foi franciscano da primeira hora. Conhecido como milagreiro, sua própria vida foi um milagre contínuo.


Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XI. Foi recebido entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, mas pouco depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da África. Foi entretanto na França e na Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da pregação, convertendo muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano de 1231. Antes de se completar um ano após a morte, o papa Gregório IX lançou-o no cânon dos Santos.

Saiba mais sobre Santo Antônio em uma excelente matéria especial que está no link ao lado. Acesse: http://www.arautos.org/especial/27004/Santo-Antonio.html


A palavra é viva quando são as obras que falam
Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero
(I.226) (Séc.XII)


Santo Antônio pregando aos peixes. Saiba mais em www.arautos.org/especial/27004/Santo-Antonio.html#ancora5

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as vêem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras. Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas idéias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32). Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino.


domingo, 12 de junho de 2011

Dica

+ PAX

Caros Irmãos, recomendo-lhes que visitem o endereço: www.youtube.com/santaigreja
Não deixem de visitá-lo. Lá encontrarão vários vídeos educativos e para oração!
Com certeza auxiliá-los-á na caminhada.

Fiquem com Deus!

Pentecostes: o Dom do Ressuscitado derramado sobre a Igreja

O tempo pascal conclui-se com a Solenidade de Pentecostes, celebração do Espírito Santo, Dom que o Cristo morto e ressuscitado faz à sua Igreja. Vejamos alguns aspectos do significado profundo deste mistério tão importante da nossa fé. 
O dom do Espírito Santo é fruto da Páscoa de Cristo. Morto como homem, ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo derramado sobre ele (cf. 1Tm 3,16; Rm 1,4). O Espírito torna-se a própria energia divina que sustenta e vivifica a natureza humana de Jesus, de tal modo que São Paulo chega a dizer que o Senhor Jesus é Espírito (cf. 2Cor 3,18). É assim que o Senhor Jesus se torna doador do Espírito Santo:“Exaltado pela Direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,33). 
Este derramamento do Espírito deu-se no próprio dia da ressurreição, “na tarde daquele mesmo dia” (Jo 20,19): Jesus entrou no Cenáculo estando fechadas as portas, soprou sobre os Onze e disse: ‘Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Aqui nasce a Igreja, aqui os apóstolos são batizados no Espírito Santo, tornando-se cristãos, pois receberam aqui a vida nova do Cristo morto e ressuscitado! 
Sendo assim, qual o sentido da festa de Pentecostes? Os judeus celebravam-na cinqüenta dias após a Páscoa para comemorar o dom da Lei que Deus fizera ao povo de Israel. Os israelitas saíram do Egito, atravessaram o Mar e, cinqüenta dias após, chegaram ao pé do Monte Sinai, onde Deus lhes dera a Lei. Como Pentecostes sempre coincidia com o início da colheita, também era considerado a Festa das Primícias. Pois bem: cinqüenta dias após a Páscoa de Jesus, os apóstolos reunidos em Jerusalém, receberam o Espírito de um modo vistoso, barulhento, com fenômenos exteriores. A idéia é muito clara: para o novo povo de Deus, que é a Igreja, a Lei não é mais a Lei dos judeus, mas o Espírito de Amor que Jesus derramou nos nossos corações e que habita em nós (cf. Rm 5,5). O amor que Jesus nos deu como mandamento não é um sentimento, mas é o seu próprio Espírito, no qual unicamente podemos nos amar como ele amou. É este amor que é a plenitude da Lei (cf. Rm 13,8.10). Se olharmos com atenção o texto dos Atos dos Apóstolos que narra a vinda do Espírito, veremos as mesmas características do Monte Sinai: no deserto, dom da Lei acontece no quadro de uma tempestade [“houve trovões, relâmpagos...’ (Ex 19,16)], uma erupção vulcânica [“uma espessa nuvem sobre a montanha, e um clamor muito forte de trombeta... toda a montanha do Sinai fumegava... a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha...” (Ex 19,16.18)] e um terremoto [“toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,18)]; no Cenáculo, aparecem os mesmo sinais: ruído, vendaval impetuoso, línguas como de fogo (cf. At 2,2s). a Igreja, fruto da ação do Espírito do Ressuscitado é também primícias da colheita de tudo quanto Cristo realizou na sua páscoa. 
Se procurarmos articular o dom do Espírito no dia mesmo da ressurreição (cf. Jo 20,19) com o dom do Espírito em Pentecostes (cf. At 2), podemos dizer o seguinte: o dom do Espírito em João, no dia da ressurreição, equivale ao nosso batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito de vida do Cristo ressuscitado. Nele, recebemos uma vida nova, que germina até a glória eterna. Já o dom do Espírito em Pentecostes equivale à experiência de cada cristão no sacramento da crisma, quando nos é dado o Espírito de força para o testemunho de Jesus e a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Agora, com a manifestação no Cenáculo, a Igreja abre as portas e começa a sair de si, lançando-se nas estradas do mundo para testemunhar Jesus e construir-se como comunidade dos discípulos daquele que morreu e ressuscitou.
Na solenidade de Pentecostes é isto que celebramos: o dom do Espírito que é dado à Igreja continuamente, na pregação da Palavra e, sobretudo, nos sacramentos, de modo particular no batismo e na eucaristia. Em cada sacramento, a Igreja suplica ao Pai o dom do Espírito do Filho, que a una sempre mais ao Ressuscitado, vá dando-lhe a vida nova que ele, seu Senhor e Esposo, agora tem à direita do Pai e, assim, vá conduzindo-a mais e mais à vida eterna.
Nunca esqueçamos que, sem o Espírito, não há nem pode haver Igreja. Somente nele, a vida do Cristo permanece e é continuamente renovada na Comunidade dos discípulos; somente no Espírito é possível viver em Cristo, fazer o bem por amor de Cristo... Somente no Espírito o Evangelho pode ser anunciado como boa-nova e não como letra morta e preceito exterior e opressor. É no Espírito Santo que a vida do Cristo não somente está no nosso meio, mas em nós, no nosso interior, inspirando-nos para o bem, dando-nos força contra o mal, plasmando em nós os sentimentos de Jesus e nos preparando para a vida eterna. Somente no Espírito a Comunidade pode se manter unida na verdadeira fé e ligada no mesmo amor, sem, contudo, sufocar as diversidades existentes. Só no Espírito, a Igreja pode se lançar para o futuro, sem ter medo das novidades e, ao mesmo tempo, manter-se fiel ao passado de sua origem, sem tornar-se ancrônica ou ultrapassada. É por tudo isso que o Espírito foi chamado pelos Santos Padres da Igreja Antiga de “alma da Igreja”: ele a vivifica, a mantém unida, a faz cresce e a conduz à plenitude. É também por isso que a Igreja é real e verdadeiramente Templo do Espírito Santo, que nela habita e repousa, nela permanecendo até transfigurá-la completamente no final dos tempos, quando, então, ela será plenamente Corpo do Cristo glorioso e povo de Deus Pai, para sempre.


Pentecostes com o Papa



Prezados irmãos e irmãs!

Na solene celebração do Pentecostes, somos enviados a professar a nossa fé na presença e na acção do Espírito Santo e a invocar a sua efusão sobre nós, sobre a Igreja e sobre o mundo inteiro. Portanto, façamos nossa, e com intensidade particular, a invocação da própria Igreja:  Veni, Sancte Spiritus! Uma invocação tão simples e imediata, mas ao mesmo tempo extraordinariamente profunda, que brota em primeiro lugar do Coração de Cristo. Com efeito, o Espírito é o dom que Jesus pediu e pede continuamente ao Pai pelos seus amigos; o primeiro e principal dom que nos obteve com a sua Ressurreição e Ascensão ao Céu.
Desta oração de Cristo fala-nos o trecho evangélico hodierno, que tem como contexto a Última Ceia. O Senhor Jesus disse aos seus discípulos:  "Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre" (Jo 14, 15-16). Aqui revela-se-nos o Coração orante de Jesus, o seu Coração filial e fraterno. Esta oração alcança o seu ápice e o seu cumprimento na cruz, onde a invocação de Cristo se identifica com o dom total que Ele faz de si mesmo, e deste modo o seu rezar torna-se por assim dizer o próprio selo do seu doar-se em plenitude por amor ao Pai e à humanidade:  invocação e doação do Espírito Santo encontram-se, compenetram-se e tornam-se uma única realidade. "E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre". Na realidade, a oração de Jesus – a da Última Ceia e a da cruz – é uma oração que permanece também no Céu, onde Cristo está sentado à direita do Pai. Com efeito, Jesus vive sempre o seu sacerdócio de intercessão a favor do povo de Deus e da humanidade, e portanto reza por todos pedindo ao Pai o dom do Espírito Santo.
A narração do Pentecostes no livro dos Actos dos Apóstolos – ouvimo-lo na primeira leitura – (cf.Act 2, 1-11) apresenta o "novo curso" da obra de Deus, encetado com a ressurreição de Cristo, obra que envolve o homem, a história e o cosmos. Do Filho de Deus morto e ressuscitado, que voltou para o Pai, emana agora sobre a humanidade com energia inédita o sopro divino, o Espírito Santo. E o que produz esta nova e poderosa autocomunicação de Deus? Onde existem lacerações e estraneidades, ela cria unidade e compreensão. Tem início um processo de reunificação entre as partes da família humana, divididas e dispersas; as pessoas, muitas vezes reduzidas a indivíduos em competição ou em conflito entre si, alcançadas pelo Espírito de Cristo, abrem-se à experiência da comunhão, que pode empenhá-las a ponto de fazer delas um novo organismo, um novo sujeito:  a Igreja. Este é o efeito da obra de Deus:  a unidade; por isso, a unidade é o sinal de reconhecimento, o "cartão de visita" da Igreja no curso da sua história universal. Desde o início, do dia do Pentecostes, ela fala todas as línguas. A Igreja universal precede as Igrejas particulares, as quais devem conformar-se sempre com ela, segundo um critério de unidade e universalidade. A Igreja nunca permanece prisioneira de confins políticos, raciais ou culturais; não se pode confundir com os Estados e nem sequer com as Federações de Estados, porque a sua unidade é de outro tipo e aspira a atravessar todas as fronteiras humanas.
Amados irmãos, disto deriva um critério prático de discernimento para a vida cristã:  quando uma pessoa, ou uma comunidade, se fecha no seu próprio modo de pensar e de agir, é sinal que se afastou do Espírito Santo. O caminho dos cristãos e das Igrejas particulares deve confrontar-se sempre com o da Igreja, una e católica, e harmonizar-se com ele. Isto não significa que a unidade criada pelo Espírito Santo é uma espécie de igualitarismo. Pelo contrário, ela é sobretudo o modelo de Babel, ou seja, a imposição de uma cultura da unidade que poderíamos definir "técnica". Com efeito, a Bíblia diz-nos (cf. Gn 11, 1-9) que em Babel todos falavam uma só língua. Pelo contrário, no Pentecostes os Apóstolos falam línguas diferentes, de modo que cada um compreenda a mensagem no seu próprio idioma. A unidade do Espírito manifesta-se na pluralidade da compreensão. A Igreja é por sua natureza una e múltipla, destinada como está a viver em todas as nações, em todos os povos e nos mais diversificados contextos sociais. Ela responde à sua vocação, de ser sinal e instrumento de unidade de todo o género humano (cf. Lumen gentium1), apenas se permanece autónoma de qualquer Estado e de toda a cultura particular. Sempre e em cada lugar, a Igreja deve ser verdadeiramente católica e universal, a casa de todos, onde cada um se pode encontrar.
A narração dos Actos dos Apóstolos oferece-nos também outra sugestão muito concreta. A universalidade da Igreja é expressa pelo elenco dos povos, segundo a antiga tradição:  "Somos Partas, Médios, Elamitas...", etc. Pode-se observar aqui que São Lucas vai além do número 12, que já expressa sempre uma universalidade. Ele olha além dos horizontes da Ásia e do noroeste da África, e acrescenta outros três elementos:  os "Romanos", ou seja, o mundo ocidental; os "judeus e prosélitos", incluindo de modo novo a unidade entre Israel e o mundo; e enfim "Cretenses e Árabes", que representam Ocidente e Oriente, ilhas e terra firme. Esta abertura de horizontes confirma ulteriormente a novidade de Cristo na dimensão do espaço humano, da história das gentes:  o Espírito Santo envolve homens e povos e, através deles, supera muros e barreiras.
No Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se como fogo. A sua chama desceu sobre os discípulos reunidos, acendeu-se neles e infundiu-lhes o novo ardor de Deus. Realiza-se assim aquilo que o Senhor Jesus tinha predito:  "Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!" (Lc 12, 49). Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus que com o seu fogo quer renovar a face da terra. Como é diferente este fogo, daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo, propagado pela Igreja, em relação aos que são acendidos pelos ditadores de todas as épocas, também do século passado, que atrás de si deixam terra queimada. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Êx 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor. 
Um Padre da Igreja, Orígenes, numa das suas Homilias sobre Jeremias, cita um dito atribuído a Jesus, não contido nas Sagradas Escrituras mas talvez autêntico, que reza assim:  "Quem está comigo está junto do fogo" (Homilia sobre Jeremias l. I [III]). Com efeito, em Cristo habita a plenitude de Deus, que na Bíblia é comparado com o fogo. Há pouco pudemos observar que a chama do Espírito Santo arde mas não queima. E todavia, ela realiza uma transformação, e por isso deve consumir algo no homem, as escórias que o corrompem e o impedem nas suas relações com Deus e com o próximo. Porém, este efeito do fogo divino assusta-nos, temos medo de nos "queimar", preferiríamos permanecer assim como somos. Isto depende do facto que muitas vezes a nossa vida é delineada segundo a lógica do ter, do possuir, e não do doar-se. Muitas pessoas crêem em Deus e admiram a figura de Jesus Cristo, mas quando se lhes pede que abandonem algo de si mesmas, então elas recuam, têm medo das exigências da fé. Existe o temor de ter que renunciar a algo de bonito, ao que estamos apegados; o temor de que seguir Cristo nos prive da liberdade, de certas experiências, de uma parte de nós mesmos. Por um lado, queremos permanecer com Jesus, segui-lo de perto, e por outro temos medo das consequências que isto comporta.

Caros irmãos e irmãs, temos sempre necessidade de ouvir o Senhor Jesus dizer-nos aquilo que Ele repetia aos seus amigos:  "Não tenhais medo!". Como Simão Pedro e os outros, temos que deixar que a sua presença e a sua graça transformem o nosso coração, sempre sujeito às debilidades humanas. Temos que saber reconhecer que perder algo, aliás, perder-se a si mesmo pelo Deus verdadeiro, o Deus do amor e da vida, é na realidade ganhar, encontrar-se mais plenamente a si próprio. Quem se confia a Jesus experimenta já nesta vida a paz e a alegria do coração, que o mundo não pode dar, e nem sequer pode tirar, uma vez que foi Deus quem no-las concedeu. Portanto, vale a pena deixar-se tocar pelo fogo do Espírito Santo! A dor que nos causa é necessária para a nossa transformação. É a realidade da cruz:  não é por acaso que, na linguagem de Jesus, o "fogo" é sobretudo uma representação do mistério da cruz, sem o qual o cristianismo não existe. Por isso, iluminados e confortados por estas palavras de vida, elevemos a nossa invocação:  Vinde, Espírito Santo! Ateai em nós o fogo do vosso amor! Sabemos que esta é uma oração audaz, com a qual pedimos para ser tocados pela chama de Deus; mas sabemos sobretudo que esta chama – e só ela – tem o poder de nos salvar. Para defender a nossa vida, não queremos perder a vida eterna que Deus nos quer conceder. Temos necessidade do fogo do Espírito Santo, porque só o Amor redime. Amém!

Retiro Anual dos Oblatos

Boa tarde, irmãos!
Benedicite.



Quem teve a oportunidade - de ouro - de participar do Retiro Anual dos Oblatos de nosso Mosteiro pode experimentar a escuta da voz de Deus através de alguns versículos do Prólogo da Regra.
Nosso querido Ir. Michael (Fernando) teve o cuidado de postar em seu blog o resumo das atividades além de expor pontos da programação, incluindo as conferências evidentemente, com comentários, traduzindo assim para os que não estiveram presentes um pouco do "sabor" do Retiro. Vale a pena conferir, além de contar com excelentes fotos que compõem a memória visual de nosso encontro de irmãos.


irmaomichael.blogspot.com


Para os que participaram, ler ajuda a refazer as reflexões e aguçar a saudade. Para os que não puderam comparecer, um convite experimentado para a próxima oportunidade.
Fiquem com Deus!