segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Para auxiliar na Lectio Divina

EVANGELHO DE HOJE - O HOMEM DE MÃO SECA


Lc 6, 6-11


Aconteceu num dia de sábado que 6Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. 9Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” 10Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.





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Comentário do Revdo Pe. Julio César RAMOS González, SDB (Salta, Argentina)


Levanta-te e fica aqui no meio (...). Estende a mão

Hoje Jesus nos dá exemplo de liberdade. Falamos muitíssimo dela nos nossos dias. Mas a diferença do que hoje se apregoa e até se vive como liberdade,a de Jesus, é uma liberdade totalmente associada e aderida à ação do Pai. Ele mesmo dirá: Vos garanto que o Filho do homem não pode fazer nada por si só e sim somente o que vê o Pai fazer; o que faz o Pai, faz o Filho (Jo 5,19). E o Pai só obra, só age por amor.
O amor não se impõe, mas faz agir, mobiliza devolvendo com amplidão a vida. Aquele mandato de Jesus: Levanta-te e fica aqui no meio (Lc 6,8); tem a força recriadoura daquele que ama, e pela palavra age. Mas ainda, o outro: Estende tua mão,(Lc 6,10), que termina conseguindo o milagre, restabelece definitivamente a força e a vida daquele que estava débil e morto. Salvar é arrancar da morte e, é a mesma palavra que se traduz por sanar. Jesus curando, salva o que havia de morto nesse pobre homem doente, e isso é um claro signo do amor de Deus Pai para com suas criaturas. Assim, na nova criação onde o Filho não faz outra coisa mais do que vê fazer ao Pai, a nova lei que imperará será a do amor que se põe em obra e, não a de um descanso que inativa, inclusive, para fazer o bem ao irmão necessitado.
Então, liberdade e amor conjugados é a chave para hoje. Liberdade e amor conjugados à maneira de Jesus. Aquilo de: ama e faz o que queiras, de Santo Agostinho tem hoje vigência plena, para aprender a configurar-se totalmente com Cristo Salvador.




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Dos Comentários de Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo e Doutor da Igreja.
Comentário sobre o Evangelho de S. Lucas, V, 39 (a partir da trad. SC, p.197 rev.)

«Encontrava-se ali um homem cuja mão direita estava paralisada»

A mão que Adão estendera para colher os frutos da árvore proibida, impregnou-a o Senhor da seiva salutar das boas obras, para que, estando ressequida pelo erro, fosse então curada pelas boas obras. Naquela ocasião, Cristo ataca os seus adversários, que com falsas interpretações violavam os princípios da Lei; julgavam eles que o sábado devia ser observado como dia de descanso, não se permitindo o trabalho, nem mesmo a realização de boas obras. Mas a Lei prefigurou no presente o aspecto do futuro onde, seguramente, será o mal a não trabalhar, não o bem [...].
Ouviste pois as palavras do Senhor: «Estende a tua mão». Eis o remédio para todo o homem. E tu, que crês ter a mão sã, toma cuidado para que a avareza, o sacrilégio, não a paralise. Estende-a pois, sempre: estende-a a esse pobre que te implora auxílio, estende-a para ajudares o teu próximo, para socorreres a viúva, para arrancares da injustiça aquele que vês submetido a uma imerecida vexação; estende-a a Deus, pelos teus pecados. Assim se deve estender a mão ; e assim ela será curada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Santo Henrique, padroeiro dos Oblatos


Muitos acusam a Idade Média como um "tempo de trevas" na História, e não tem como não pensar isto se não abrirmos os olhos e olharmos para o alto, pois neste lugar é que se encontram as luzes deste período, ou seja, os inúmeros santos e santas. Henrique faz parte deste "lustre", pois viveram - ele e sua esposa Santa Cunegundes - uma perfeita harmonia de afetos, projetos e ideais de santidade.



Henrique, primogênito do duque da Baviera, nasceu num belíssimo castelo às margens do rio Danúbio, em 973, e recebeu o mesmo nome do seu pai. Veio ao mundo para reinar, desfrutando de todos os títulos e benesses que uma corte imperial pode proporcionar ao seu futuro soberano, com os luxos e diversões em abundância. Por isto, foi uma grata surpresa para os súditos verem que o jovem se resguardou da perdição pela esmerada criação, dada por sua mãe.



Seu pai, antes conhecido como "o briguento", abriu seu coração à orientação da esposa, católica fervorosa, que anos depois seu apelido foi mudado para "o pacífico". Assim, seus filhos receberam educação correta e religiosamente conduzida nos ensinamentos de Cristo. Um dos irmãos de Henrique, Bruno, foi o primeiro a abandonar o conforto da corte para se tornar padre e, depois, Bispo de Augusta. Das irmãs, Brígida se fez monja e Gisela, Beata da Igreja, foi mulher do rei Estevão da Hungria, também um Santo.



O príncipe Henrique, na idade indicada, foi confiado ao Bispo de Ratisbona, São Wolfgang, e com ele se formou cultural e espiritualmente. A tradição germânica diz que uma noite Henrique sonhou com o seu falecido diretor espiritual, São Wolfgang. Este teria escrito na parede do quarto do príncipe: "entre seis". Henrique julgou que morreria dali a seis dias, o que não ocorreu. Depois, achou que a morte o alcançaria dali a seis meses. Isso também não aconteceu. Mas, seis anos após o sonho, ele assumiu o trono do Sacro Império Romano Germânico, coroado pelo Papa Bento VIII, quando da morte de seu pai.



Henrique II não poderia ter comandado o povo com mais sabedoria, humildade e cristandade do que já tinha. Promoveu a reforma do clero e dos mosteiros. Regeu a população com justiça, bondade e caridade, freqüentando com ela a Santa Missa e a Eucaristia. Convocou e presidiu os Concílios de Frankfurt e Bamberg. Realizou ainda muitas outras obras assistenciais e sociais. Modelo de governante católico, empenhou-se na propagação da Fé, tendo papel de grande importância para a conversão de seu cunhado Santo Estêvão, rei da Hungria. Procurou restaurar, conforme a espiritualidade de Cluny, o espírito monástico então decadente, sendo nesse ponto aconselhado por Santo Odilon, abade de Cluny.



Ao mesmo tempo em que defendia o povo e a burguesia contra os excessos de poder dos orgulhosos fidalgos, estabeleceu a paz com Roberto, rei da França. Com o fim da guerra, reconstruiu templos e mosteiros, destinando-lhes generosas contribuições para que se desenvolvessem e progredissem. Enfim, ao lado da esposa Cunegundes, agora Santa, concedeu à população incontáveis benefícios sociais e assistenciais, amparando os mais necessitados e doentes. O casal chegou a fazer voto eterno de castidade, para que, com mais firmeza de espírito, pudessem se dedicar apenas a fazer o bem ao próximo. Por sua insistência, o papa Bento VIII prescreveu o uso do Credo Niceno-Constantinopolitano aos domingos na missa em 1014.



Henrique II morreu em 13 de julho de 1024 e foi sepultado em Bamberg. Foi canonizado em 1152, pelo Papa Eugênio III. Talvez, o rei Santo Henrique II seja um dos santos mais queridos da Alemanha, ao lado de sua esposa.
 
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Oração a Santo Henrique

Senhor Deus, que cumulastes de graça o imperador Santo Henrique, elevando-o de modo admirável das preocupações do governo terrestre às coisas do céu, concedei por suas preces, que Vos procuremos de todo o coração entre as vicissitudes deste mundo.
Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.

domingo, 11 de julho de 2010

SOLENIDADE DE NOSSO PAI SÃO BENTO

(obrigado pela figura, Ir. Michael)

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Entre as coroas dadas pelo alto,
cujo louvor celebra o nosso canto
glorioso brilhas por merecer tanto,
grande São Bento!


Ainda jovem, te orna a santidade,
do mundo o gozo nada te roubou,
murcha a teus olhos deste mundo a flor,
olhas o alto.


Pátria e família deixas pela fuga,
e na floresta buscas teu sustento.
Ali rediges belo ensinamento
de vida santa.


Obediência à lei de Cristo ensinas
aos reis e povos, tudo o que lhe agrada.
Por tua prece, a nossa tenha entrada
aos bens do céu.


Glória a Deus Pai e ao Filho Unigênito,
e ao Santo Espírito honra e adoração.
Graças a ele, fulge o teu clarão
no céu. Amém.

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Da Regra de São Bento, abade

(Prologus, 4-22;cap.72,1-12:CSEL75,2-5.162-163)



Nada absolutamente prefiram a Cristo



Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por ele. Pois já tendo se dignado contar-nos entre o número de seus filhos, que ele nunca venha a entristecer-se por causa de nossas más ações. Assim, devemos em todo tempo pôr a seu serviço os bens que nos concedeu, para não acontecer que, como pai irado, venha a deserdar seus filhos; ou também, qual Senhor temível, irritado com os nossos pecados nos entregue ao castigo eterno, como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.
Levantemo-nos, enfim, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de levantarmos do sono (cf. Rm 13,11). Com os olhos abertos para a luz deífica e os ouvidos atentos, ouçamos a exortação que a voz divina nos dirige todos os dias: Oxalá, ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações (Sl 94,8); e ainda: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap 2,7).
E o que diz ele? Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor (Sl 33,12). Correi, enquanto tendes a luz da vida, para que as trevas não vos alcancem (cf. Jo 12,35).
Procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras, diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl 33,13). E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas. Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu caminho (Sl 33,14-15). E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9).
Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida? Vede como o Senhor, na sua bondade, nos mostra o caminho da vida!
Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver aquele que nos chama a seu reino (cf. 1Ts 2,12). Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca chegaremos lá.
Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10). Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que ele nos conduza todos juntos para a vida eterna.

domingo, 4 de julho de 2010

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS



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HOJE SIMÃO PEDRO SUBIU À CRUZ, ALELUIA;
HOJE AQUELE QUE TEM AS CHAVES DO REINO
FOI ALEGRE AO ENCONTRO DE CRISTO;

HOJE PAULO, APÓSTOLO DAS NAÇÕES,
CONSQUISTOU, PELO NOME DE CRISTO,
A COROA DO MARTÍRIO, ALELUIA.




MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, martirizados em Roma entre 64 e 67. São Pedro, escolhido por Cristo – depois de sua profissão de fé – para ser o fundamento da Igreja, foi confirmado em sua função de Pastor após ter expiado sua tríplice negação por uma declaração de amor, vindo mais tarde a sofrer um suplício semelhante ao de seu Divino Mestre. São Paulo, que era cidadão romano, foi decapitado depois de ter cumprido, por sua pregação e suas cartas, a missão de Doutor e arauto do Evangelho aos gentios, através da Ásia Menor e da Grécia durante cerca de trinta anos. Estas duas colunas da Igreja deram assim à Cidade Eterna, “sua doutrina junto com seu sangue” (Tertuliano).
Por determinação da Santa Sé, nos lugares onde não é feriado, esta solenidade
pode ser transferida do dia 29 para o domingo mais próximo.

Em Estremoz, Santa Isabel, rainha de Portugal, sobrinha-neta de Santa Isabel da Hungria. Casada aos doze anos com o rei D. Dinis de Portugal, passou toda a sua vida a trabalhar e orar pela paz na península Ibérica, e mais tarde morreu no convento das Clarissas de Coimbra, que havia fundado.
Os santos Oséias e Ageu, profetas do Antigo Testamento.
Em Berry, São Laureano, bispo de Sevilha, mártir, cuja relíquia da cabeça foi levada para Sevilha na Espanha.
Na África, o natalício de São Jucundiano, mártir, que, por causa de Cristo, foi lançado no mar.
Em Sírmio, os santos mártires Inocêncio e Sebástia, com trinta Companheiros.
Em Madaura, na África, São Nanfânio, mártir, e os Companheiros que ele animou para a luta, e conduziu à vitória.
Em Cirene, na Líbia, São Teodoro, bispo. Na perseguição de Diocleciano, açoitaram-no com chumbeiras, e cortaram-lhe a língua, sob o prefeito Digniano. Mas ele, afinal, morreu em paz, como confessor da fé.
Em Augsburgo, na Récia, Santo Ulrico, bispo, que se assinalou pela virtude de admirável abstinência, liberalidade e vigilância, bem como pelo dom dos milagres.
Finalmente, em outros locais, aniversário de numerosos outros santos, cujos nomes estão inscritos no Livro da Vida.

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Dos sermões de Santo Agostinho, bispo e Doutor da Igreja.
(Sermão 295, 1-2.4.7-8: PL 38, 1348-1352) (Sec. V)


Estes mártires deram testemunho do que viram

O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Não falamos de mártires desconhecidos. A sua voz ressoou por toda a terra e a sua palavra até aos confins do mundo. Estes mártires deram testemunho do que tinham visto: seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro é o primeiro dos Apóstolos, ardentemente apaixonado por Cristo, aquele que mereceu ouvir estas palavras: E Eu te digo que tu és Pedro. Antes dissera ele: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Cristo respondeu-lhe: E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei Eu a mesma fé de que tu dás testemunho. Sobre a mesma afirmação que tu fizeste: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, edificarei Eu a minha Igreja. Porque tu és Pedro. «Pedro» vem de «pedra»; não é «pedra» que vem de «Pedro». «Pedro» vem de «pedra», como «cristão» vem de «Cristo».

O Senhor Jesus, antes da sua paixão, escolheu, como sabeis, os discípulos a quem chamou Apóstolos. Entre estes, só Pedro mereceu representar em toda a parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja única. Assim se manifesta a superioridade de Pedro, porque ele representava a universalidade e unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Dar-te-ei. Era-lhe atribuído nominalmente o que a todos foi dado.

Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos Céus, ouvi o que o Senhor diz noutro lugar a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E logo a seguir: Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor confiou a Pedro o cuidado de apascentar as suas ovelhas. Na verdade, não foi só ele, entre os discípulos, que recebeu a missão de apascentar as ovelhas do Senhor. Mas, referindo-se Cristo a um só, quis insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque entre os Apóstolos, Pedro é o primeiro.
Não estejas triste, ó Apóstolo. Responde uma vez, responde outra vez, responde pela terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que três vezes o temor venceu a tua presunção. Tens de soltar por três vezes o que por três vezes ligaste. Solta por amor o que ligaste pelo temor. E assim, uma vez e outra vez e pela terceira vez, o Senhor confiou a Pedro as suas ovelhas.

Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; seguiu-o Paulo. Celebramos a festa deste dia para nós consagrado com o sangue dos dois Apóstolos. Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.





quinta-feira, 24 de junho de 2010

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA, QUE DÁ NOME A NOSSO MOSTEIRO




Boa noite, caros
Benedicite!

Publicamos abaixo, para celebrarmos a Solenidade de São João Batista, algumas homilias sobre este grande santo que proporcionou ao mundo a oportunidade de preparação, por meio do batismo de penitência, para receber o Senhor de toda a História!
Celebremos e meditemos!

Abraços em Cristo e em NP São Bento!



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João é seu nome
(Fr. Raniero Cantalamessa, OFMcap., pregador da Casa Pontifícia)

No espaço do XII domingo do Tempo Comum, este ano se celebra a Natividade de São João Batista. Trata-se de uma festa antiqüíssima; remonta ao século IV. Por que a data de 24 de junho? Ao anunciar o nascimento de Cristo a Maria, o anjo lhe diz que Isabel, sua parente, está no sexto mês. Portanto, o Batista devia nascer seis meses antes de Jesus e deste modo se respeita a cronologia (em 24, em vez de 25 de junho, se deve à forma de calcular dos antigos, não por dias, senão por Calendas, Idus e Nonas). Naturalmente, estas datas têm valor litúrgico e simbólico, não histórico. Não conhecemos o dia nem o ano exato do nascimento de Jesus e portanto tampouco de Batista. Mas isso muda o quê? O importante para a fé é o fato de que nasceu, não quando nasceu.

O culto difundiu-se rapidamente e João Batista converteu-se em um dos santos aos que estão dedicados mais igrejas no mundo. Vinte e três papas tomaram seu nome. Ao último deles, o Papa João XXIII, aplicou-se a frase que o Quarto Evangelho diz do Batista: «Houve um homem enviado por Deus; chamava-se João». Poucos sabem que a denominação das sete notas musicais (Do, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si) têm relação com João Batista. Obtêm-se da primeira sílaba dos sete versos da primeira estrofe do hino litúrgico composto em honra ao Batista.

A passagem do Evangelho fala da eleição do nome de João. Mas é importante também o que se escuta na primeira leitura e no salmo responsorial da festividade. A primeira leitura, do livro de Isaías, diz: «Desde o seio materno Iahweh me chamou, desde o ventre de minha mãe pronunciou o meu nome. De minha boca fez uma espada cortante, abrigou-me na sombra da sua mão; fez de mim uma seta afiada, escondeu-me na sua aljava». O salmo responsorial volta sobre este conceito de que Deus nos conhece desde o seio materno:

«Tu minhas vísceras formaste,
me teceste no ventre de minha mãe...
Meu embrião teus olhos viam».

Temos uma idéia muito redutiva e jurídica de pessoa que gera muita confusão no debate sobre o aborto. É como se uma criança adquirisse a dignidade de pessoa a partir do momento em que esta lhe é reconhecida pelas autoridades humanas. Para a Bíblia, pessoa é aquele que é conhecido por Deus, aquele a quem Deus chama por seu nome; e Deus, nos é assegurado, conhece-nos desde o seio materno, seus olhos nos viam quando éramos ainda embriões no seio de nossa mãe. A ciência nos diz que no embrião existe, em desenvolvimento, todo o homem, projetado em cada mínimo detalhe; a fé acrescenta que não se trata só de um projeto inconsciente da natureza, mas de um projeto de amor do Criador. A missão de São João Batista está toda traçada, antes que nasça: «E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás diante do Senhor para preparar seus caminhos...».

A Igreja considerou que João Batista foi santificado já no seio materno pela presença de Cristo; por isto celebra a festividade de seu nascimento. Isto nos oferece a ocasião para tocar num problema delicado, que se converteu em agudo por causa das milhões de crianças que, sobretudo pela terrível difusão do aborto, morrem sem ter recebido o batismo. O que dizer delas? Também foram de alguma maneira santificadas no seio materno? Há salvação para elas?

Minha resposta é sem vacilo: claro que há salvação para elas. Jesus ressuscitado diz também delas: «Deixai que as crianças venham a mim». Segundo uma opinião comum desde a Idade Média, as crianças não batizadas iam para o Limbo, um lugar intermediário no qual não se sofre, mas tampouco se goza da visão de Deus. Mas se trata de uma idéia que não foi jamais definida como verdade de fé pela Igreja. Era uma hipótese dos teólogos que, à luz do desenvolvimento da consciência cristã e da compreensão das Escrituras, já não podemos manter.

Quando expressei há tempo esta opinião minha em um destes comentários dominicais, recebi diferentes reações. Alguns mostravam gratidão por esta tomada de posição que lhes tirava um peso do coração; outros me reprovaram que entrasse na doutrina tradicional e diminuísse a importância do batismo. Agora a discussão está fechada, porque recentemente a Comissão Teológica Internacional, que trabalha para a Congregação [vaticana] para a Doutrina da Fé, publicou um documento no qual afirma o mesmo.

Parece-me útil voltar sobre o tema à luz deste importante documento, para explicar algumas das razões que levaram a Igreja a esta conclusão. Jesus instituiu os sacramentos como meios ordinários para a salvação. São, portanto, necessários, e quem, podendo-os receber, contra a própria consciência os rejeita ou os descuida, põe em sério perigo sua salvação eterna. Mas Deus não se atou a estes meios. Ele pode salvar também por vias extraordinárias, quando a pessoa, sem culpa sua, é privada do batismo. O fez, por exemplo, com os Santos Inocentes, mortos também eles sem batismo. A Igreja sempre admitiu a possibilidade de um batismo de desejo e de um batismo de sangue, e muitas destas crianças conheceram de verdade um batismo de sangue, ainda que de natureza distinta...

Não creio que a clarificação da Igreja alente o aborto; se assim fosse seria trágico e teria que se preocupar seriamente não da salvação das crianças não batizadas, mas dos pais batizados. Seria brincar de Deus. Tal declaração dará, ao contrário, um pouco de alívio aos crentes que, como todos, questionam-se consternados pela sorte atroz de muitas crianças do mundo de hoje.

Voltamos a João Batista e à festa do domingo. Ao anunciar a Zacarias o nascimento de seu filho, o anjo lhe disse: «Isabel, tua mulher, vai te dar um filho, ao qual porás o nome de João. Terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento» (Lucas 1, 13-14). Muitos na verdade se alegraram por seu nascimento, se à distância de vinte séculos seguimos ainda falando desse menino.

Desejaria fazer dessas palavras a expressão de um desejo a todos os pais e mães que, como Isabel e Zacarias, vivem o momento da espera ou do nascimento de um filho: que também vós possais regozijar-vos e alegrar-vos no menino ou na menina que Deus vos confiou e vos alegreis de seu nascimento por toda vossa vida e pela eternidade!

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Solenidade de São João Batista
(Dom Henrique Soares da Costa, bispo auxiliar de Aracaju - SE)



Além da Virgem Maria Mãe de Deus, Nossa Senhora, de nenhum outro santo a Igreja celebra o nascimento, a não ser São João, chamado Batista, Batizador. Dele, Jesus fez o maior elogio jamais feito pelo Salvador a alguém:“Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior que João, o Batista” (Mt 11,11). Por isso, caríssimos, a hodierna solenidade!
Que lições, que meditações, que exemplos poderíamos colher nesta Festa, tendo escutado a Palavra que nos foi anunciada? Sugiro-vos três, que alimentem o coração, afervorem o desejo de colocar-se ao serviço do Senhor e nos conduzam à herança eterna.
Primeiro. A primeira leitura da Liturgia nos fez escutar a profecia de Isaías, colocando as palavras do profeta na boca de João Batista: “O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome... fez de mim uma flecha aguçada e disse-me ‘Tu és meu servo, em quem serei glorificado’” E o salmo de meditação fez eco a tão bela idéia: “Senhor, vós me sondais e conheceis. Fostes vós que me formastes as entranhas/ e no seio de minha mãe vós me tecestes./ Até o mais íntimo me conheceis;/ nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis,/ quando eu era modelado ocultamente,/ era formado nas entranhas subterrâneas!” O que aparece aqui, caríssimos em Cristo, é que viemos a este mundo não por acaso, não sem um propósito. Somos todos fruto de um sonho de Deus, fomos todos misteriosamente chamados à vida: o Senhor pensou em nós, nos chamou, nos plasmou – e aqui estamos! O nascimento que hoje celebramos, do filho de Zacarias e Isabel, foi fruto do desígnio amoroso do Pai, que pelo Filho Jesus e para o Filho Jesus, na força do Espírito Santo, plasmou João. Por isso seu nome é tão verdadeiro: “Iohanah”, em hebraico: Deus dá a graça! Ele mesmo, João, já é uma graça de Deus para seus pais e para todos os que esperavam a salvação de Israel.
Hoje, quando um mundo insensível e descrente já não reconhece que a vida é um mistério de amor, é um chamado de Deus, quantos são abortados, quantos deixados de modo indigno e imoral no frio congelamento dos laboratórios de procriação artificial: lá esquecidos, lá manipulados em inaceitáveis experiências pseudo-científicas! Nós, caríssimos, que ouvimos a Palavra santa de Deus; nós, que nos alegramos com este nascimento, nunca esqueçamos: toda vida humana é sagrada do primeiro ao último instante do nosso caminho terreno. É imoral, perverso e desumano um governo que reduz a questão do aborto a problema de “política pública”. Um dia esses senhores irão prestar contas a Deus. Será mesmo que Deus aceitará este argumento, que não passa de disfarce para matar? Que o Senhor nos ajude a defender a vida, a gritar por ela! Que o Senhor também nos dê a sabedoria para descobrir e experimentar que a nossa vida – por quanto pobre e pequena – também e preciosa! Que hoje eu me pergunte: Qual o propósito da minha existência? Já o descobri? Já me conformei a ele? Vosso sou, Senhor, de vós nasci e para vós nasci! Que quereis fazer de mim?
Segundo. Ainda que a vida nossa seja fruto do amor do Senhor, isso não significa facilidades. João deveria preparar o caminho do Messias, do Cristo de Deus. E isto iria custar-lhe: “Eu disse: ‘Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa’” O grande desafio da nossa vida de crentes é viver na presença de Deus, é ser fiel à sua santa vontade e à missão que ele nos confiou. Ser fiel à missão custou a João: a dureza do deserto, as incompreensões dos inimigos, a trama de Herodíades, a dificuldade de perceber a vontade Deus (basta recordar João perguntando a Jesus: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”- Mt 11,3) e, finalmente, o aparente abandono, o aparente absurdo do silêncio de Deus, na solidão e na morte naquele cárcere. O que manteve João fiel até o fim? A confiança no Senhor, a capacidade de deixar-se guiar por Deus, sem querer ele mesmo controlar sua vida! Grande João! Fiel João! Pobre de Deus, João! Que exemplo para nós, tanta vez tentados a fazer da vida o que bem queremos, como se nascêssemos de nós mesmos e vivêssemos para nós mesmos! “Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor! (Rm 14,8)”
Terceiro. Certa vez São Paulo escreveu: “Nenhum de nós vive para si...” (Rm 14,7) Desde o ventre materno, o Senhor chamou João para ser o que prepara o caminho, o que vem antes, o “pré-cursor” Toda a sua existência foi “precursar”! No terceiro evangelho isso aparece de modo comovente: anuncia-se o nascimento de João e depois o de Jesus; narra-se a natividade de João e a seguir a do Messias; apresenta-se o ministério de João e, após sua prisão, o do Salvador; finalmente, narra-se a morte de João, prenúncio da morte do nosso Senhor! Eis! Não é fácil não viver para si, não é fácil deixar que Outro seja o centro! E, no entanto, como diz a segunda leitura, “João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Depois de mim vem Aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’”; “É necessário que ele cresça e eu diminua!” Santo profeta João Batista: sendo humilde, foi o maior dos nascidos de mulher; sendo totalmente preso à sua missão de modo fiel e constante, foi livre de verdade; sendo todo esquecido de si e lembrado de Deus, foi maduro e feliz! Por isso mesmo, seu nome foi verdadeiro e traduziu perfeitamente seu ser e sua missão: João, Iohanah: Deus dá a graça. E a graça que, para seus pais, foi João no seu nascimento, nas verdade era outra graça: a graça que Deus dá é Jesus, o Messias; graça que João anunciou com seu nascimento, com sua vida, com sua pregação e com sua morte!
Que este grande profeta, o maior do Antigo Testamento, do céu interceda por nós, nascidos do Novo Testamento e, por isso, maiores que João, o Grande Precursor! Amém.

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Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 293,1-3: PL 38,1327-1328)
(Séc.V)


Voz do que clama no deserto


A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os
nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente.
Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma
explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta
solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de
uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.
O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é
concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não
formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de
aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos
ensinará melhor. Nele pensais com amor filial,a ele recebestes no coração, dele vos
tornastes templos.
João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o
novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João
Batista (Lc 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o
Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é
declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de
nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é
designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são
coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e
solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes
fatos.
Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só
então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da
profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto,
fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se
claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo
significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se
anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce
aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe:
Quem és tu? (Jo 1,19). E ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1,23).
João é a voz; o Senhor, porém,no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no
tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.

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Homilia do Pe. Pavlos Tamanini (sacerdote ortodoxo)




o dia 24 de junho, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de São João Batista. Também coincide, nas duas tradições, a data em que se celebra o seu martírio em 29 de agosto. No Oriente bizantino, porém, as comemorações do grande Profeta e Precursor são sem dúvida mais numerosas.
Com relação ao nascimento, os calendários bizantinos assinalam, no dia 23 de setembro, a data da concepção do "glorioso Profeta, Precursor João, o que batizou Jesus no Jordão". Antigamente também os martirológios latinos registravam essa comemoração em 24 de setembro; porém a partir do século XV foi abolida.
Na tradição oriental é comum iconografar São João Batista na forma de um Anjo. Com efeito "era mais que um homem", como diz o evangelho, e a palavra "mensageiro" em grego aggeloV coincide com nossa tradução". Sendo um dos santos mais venerados no Oriente bizantino, é compreensível que muitas sejam as formas de representá-lo em ícones: encontramo-lo representado sozinho, ou em episódios da sua vida, especialmente o da sua decapitação.
João é filho de Zacarias que, por causa de sua pouca fé, tornou-se mudo, e de Isabel, aquela que era estéril. O nascimento de João Batista anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética.
O evangelho lhe dá o cognome de."Batista", porque ele anuncia um novo rito de ablução (Mt 3,13-17), na qual o batizado não imerge sozinho na água, como nos ritos e nos batismos judaicos, mas recebe a água das mãos de um ministro. João pretendia mostrar assim que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda santidade vem de Deus.
João Batista é também lembrado como um homem de grande mortificação. Talvez tenha ele sido iniciado esta disciplina nas comunidades religiosas do deserto. Mas a tradição lembra, sobretudo seu caráter profético. Ele é profeta por um duplo titulo. Antes de tudo é profeta no sentido em que essa palavra era entendida no Antigo Testamento; aliás, João é o maior dos profetas de Israel, porque pôde apontar o objeto de suas profecias (Mt 11,7-15; Jo 1,19 28). Para realçar essa pertença de João à grande descendência dos profetas do Antigo Testamento, Lucas nos narra seu nascimento, permitindo ver através dele o perfil das grandes vocações dos antigos profetas.
Mas o profeta não é apenas o anunciador do futuro messiânico; é essencialmente o portador da palavra de Deus e a testemunha da presença dessa Palavra criadora no mundo novo.
Ele aponta para os futuros discípulos de Cristo a quem esses deveriam seguir. Mostra o Cordeiro e orienta que o sigam.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

RECADO DE IR. NAZARÉ E IR. HILDEGARDES

Alegria em nossa comunidade monástica!

Dia 24 de junho, Solenidade de São João Batista, nossas queridas monjas Ir. Hildegardes e Ir. Maria de Nazaré, que acompanham nossos Oblatos, farão sua Profissão Solene.
Rezemos por elas e, se possível, compareçamos.

Clique na figura acima para ver o convite completo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


EU SOU O PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU QUEM DESTE PÃO COME, SEMPRE HÁ DE VIVER.

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MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO

A solenidade de Corpus Christi, quando a Igreja celebra festivamente o mistério eucarístico do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, real presença sob as aparências sensíveis do pão e do vinho, em memória de Sua Paixão sangrenta e em penhor da unidade de seu Corpo Místico, que é a Igreja.

Memória de São Carlos Lwanga e seus Companheiros. Em 1886, sete anos após a chegada dos primeiros missionários a Uganda, cerca de cem jovens cristãos foram condenados à morte por terem desejado permanecer fiéis à graça de seu batismo, na castidade e na oração. Vinte e dois católicos foram canonizados em 1964 e São Carlos Lwanga foi proclamado padroeiro celeste da juventude africana.

Em Arezzo, na Toscana, os santos irmãos mártires Pergentino e Laurentino. Apesar de serem ainda criancinhas, sofreram duros suplícios, e operaram, pela graça de Deus, grandes milagres, na perseguição de Décio. Afinal, foram mortos à espada, sob o prefeito Tibúrcio, nessa mesma cidade.

Em Constantinopla, os santos mártires Luciliano e as quatro crianças Cláudio, Hipácio, Paulo e Dinis. Luciliano, que de sacerdote idólatra se convertera a Cristo, sofreu vários tormentos, e foi depois lançado numa fornalha, junto com as crianças. Como uma forte chuva apagasse o fogo, todos eles saíram ilesos. Por fim, ele foi crucificado, e as crianças foram mortas à espada. Assim consumaram o martírio, sob o prefeito Silvano.

Em Córdova, na Espanha, o bem-aventurado Issac, monge, que com toda a coragem proclamou, diante dos mulçumanos, sua fé em Cristo, único mediador entre Deus e os homens. Por isso morreu ao fio da espada.

Em Constantinopla, Santa Paula, virgem e mártir, que, por recolher piedosamente o sangue dos supra ditos mártires Luciliano e as quatro crianças, foi presa, cruelmente açoitada e espancada, lançada numa fogueira, donde saiu indene. Afinal, degolaram-na no mesmo lugar, onde São Luciliano havia sido crucificado.

No ano da graça de 1051, São Davino, cristão armênio, que vendeu todos os seus bens e deu tudo aos pobres para se consagrar à vida ascética de peregrino. Morreu em Lucca, na Toscana.

Em Paris, Santa Clotilde, rainha, por cujas orações seu marido, Clóvis, rei dos Francos, aceitou a fé de Cristo.

Finalmente, em outros locais, aniversário de numerosos outros santos, cujos nomes estão inscritos no Livro da Vida.

- Terra, exulta de alegria, louva teu pastor e guia com teus hinos, tua voz.

- Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede o teu louvor.

- Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida, vem com ela celebrar.

- Este pão, que o mundo creia, por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu.

- Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração.

- Quão solene a festa, o dia, que da santa Eucaristia nos recorda a instituição.

- Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a páscoa dos judeus.

- Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo, foge a noite, chega a luz.

- O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar.

- Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para a nossa salvação.

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo.

Sermo 3, De sacramento altaris ad infantes (Patrologia Latina 46, 827-828)


No corpo de Cristo, vos tornastes agora membros de Cristo


O ministério da Palavra e o cuidado com que vos geramos para que Cristo se forme em vós, nos levam a vos dizer o que seja este sacramento tão grande e tão divino, este remédio tão célebre e nobre, este sacrifício tão puro e tão fácil. Já não é mais em uma única cidade terrestre, Jerusalém, nem mais no tabernáculo construído por Moisés, nem no templo erguido por Salomão – tudo isso não era senão sombra de realidades futuras – mas é do nascer do sol até o seu ocaso (Sl 112 [113], 3), como predisseram os Profetas, que se imola e se oferece a Deus a vítima de louvor, segundo a graça do Novo Testamento.

Já não se vai mais buscar entre o rebanho uma vítima sangrenta, já não nos aproximamos do altar com uma ovelha, mas, de agora em diante, o sacrifício de nosso tempo é o corpo e o sangue do próprio sacerdote. Foi deste sacerdote que se predisse no salmo: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedeque (Sl 109 [110], 4). Ora, lemos no Gêneses e bem sabemos que Melquisedeque, sacerdote do Altíssimo, ofereceu pão e vinho (cf. Gn 14, 18), quando abençoou nosso pai Abraão.

Cristo, nosso Senhor, que ofereceu, ao sofrer por nós, o que recebera ao nascer por nós, estabelecido sacerdote para a eternidade, instituiu o sacrifício do seu corpo e do seu sangue. Porque seu corpo, traspassado pela lança, deixou correr a água e o sangue pelo qual remiu nossos pecados. Lembrando-vos desta graça, realizando a vossa salvação com temor e tremor – pois é Deus que em vós opera – vós vos aproximais para participar deste altar. Reconhecei no pão o que pendeu da cruz, no cálice o que escorreu do lado aberto. Os antigos sacrifícios do povo de Deus significavam, em sua múltipla variedade, o único sacrifício que havia de vir. E tudo o que foi anunciado de modo múltiplo e diverso nos sacrifícios do Antigo Testamento, se relaciona com o sacrifício único, revelado no Novo.

Recebei, pois, e comei o corpo de Cristo, uma vez que, no corpo de Cristo, vos tornastes agora membros de Cristo. Recebei e bebei o sangue de Cristo. Para que não vos deixeis dispersar, comei aquele que é o vosso vínculo; para não parecerdes sem valor aos vossos próprios olhos, bebei aquele que é o preço pelo qual fostes resgatados. Quando comeis este alimento e bebeis esta bebida, eles se transformam em vós; assim vós também sois transformados no corpo de Cristo, se viveis na obediência e no fervor. Se tendes a vida nele, sereis com ele uma só carne. Porque este sacramento não vos apresenta o corpo de Cristo para dele vos separar. O Apóstolo nos lembra que isto foi predito na Sagrada Escritura: Os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Igreja (Ef 5, 32).

Em outro lugar foi dito a respeito da própria eucaristia: Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo (1Cor 10, 17). Começais, pois, a receber o que começastes a ser.